Thursday, March 15, 2018

Atmosfera

Ao longo de três meses mantive um diário escultórico com alguma disciplina, cresci muito dialogando com o material e comigo própria. Os dias que passam por mim e as emoções se anexam a mim não me largando, uma voz, um emaranhado que me prende os ombros. Por vezes é difícil respirar.
Larguei algumas coisas pelo caminho. A acumulação física fazia com que o tempo pesasse mais. Não como se nunca tivessem pesado. Mas a matéria pareceu colocar mais umas toneladas sobre o ar que me esmaga, culpando a minha fragilidade e esmagando a minha inocência e vontade de continuar sem olho para o tempo.
Este acumular não se desprende de mim, apenas da minha mente. Tenho medo de continuar e encher todo o meu espaço dele. Todas as relações serão assim. Preciso talvez de algum espaço com este projeto que se tornou uma tarefa que habita sempre como uma base inquieta. A inquietação por agora imobiliza. Seria um combustível bastante eficiente se tivesse o efeito contrário.
Penso que vou fechar.

Não gosto deste acumular físico, não gosto mais.
Talvez o que extraí foram demasiadas energias negativas, agora condensam-se ali, impiedosas.

Terei de ter alguma piedade de mim. Não sei se consigo olhar para as coisas que faço. Puxam-me com tanta intensidade que parecem que me destroem.

Tende piedade de mim.

Não quero âncoras. Quero partir.

Levem tudo.

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