Sei agora, que mais que nunca, os nossos papéis mudaram. Sempre pensei que precisávamos igualmente um do outro mas penso que errei, eu sempre precisei mais de ti do que tu de mim, a consciência disso tornou tudo insuportável. Eu dava, dava, dava, não pensava em mais nada senão dar o meu amor por ti, mostrar o meu carinho por ti, todas as facetas que ninguém chegará mais a conhecer. Mas sinto que tudo isso caiu para o vazio e sempre me fitavas de longe com os pensamentos voltados para ti e que de vez em quando me procuravas e isso bastava-me.
O pensamento que alguém que procurava, oh! Que conforto, aquece as minhas mãos frias e as minhas faces geladas à indiferença que parece que os meus dias são.
Haveria sempre uma distância entre nós? Esta de eu precisar e tu não veres isso, de quereres mudar mas as coisas voltassem à sua ordem sempre que a dor esvanecesse um bocado. E a luz ténue da insegurança de não ser boa o suficiente para ti cega-me num instante e arde-me nos olhos, embacia-me a visão e inunda-me uma vaga de amargura insuportável me sufoca entre as lágrimas.
Mas agora já não importo para ti, como deveria ser, a solidão já existia antes de partires ou de eu te afastar para deixar de sentir esta dor. Estarei a ser demasiado egoísta quando dei tudo de mim a alguém que não me via?
Cedendo.
Cedi pouco a pouco àquilo que não vias em mim, eu sei que isso me fez melhor, mas não chega, pois não? Não irias conseguir ceder da mesma forma ao que eu gostaria de ter, a tua atenção, a tua preocupação, a tua ajuda, não apenas quando estou a desmoronar em lágrimas, mas que isso não aconteça.
Sorri, consolei, andei de volta de ti, tento sempre pedir desculpas mesmo que sinta que se calhar eu também precisava que alguém procurasse o meu perdão. Eu poderia bem estar com uma pedra que parecia que aquecia com a minha temperatura e dedicação, e depois de ficar sem calor apenas a vestígios ficam. Não quero abanar o carinho de ti, para que reste alguma coisa para mim. Nos meus choros em desespero a paciência esfriou-se em hostilidade, Porque é que teres razão era tão importante?
Quando mudei as minhas palavras-chave utilizei o meu nome e a alcunha querida que fui investigando e sempre te chamei, o ano em que nos conhecemos. Aí deve ter sido das primeiras vezes que comecei a olhar para mim na nossa relação. Pensei, não, não vou escrever o teu nome primeiro, e escrevi o meu, o teu nome, a tua alcunha e o ano em que nos conhecemos. Eu estava a desaparecer. Eras tu, tu, tu, tu. E em para ti eras tu, tu, eu e tu, de vez em quando, e sentia sempre que no fundo sentiste que sacrificaste alguma coisa por mim e que questionavas se teria valido a pena.
Eu sou tão triste.
Eu sei que comparativamente com outras pessoas és das pessoas que melhor que trataste e que tiveste paciência e que estavas feliz. Tinhas-me a rodar em torno de ti, tens amigos para onde quer que vás, ias viajar e era a altura da tua vida, mas era apenas a tua.
'Se calhar é porque passamos demasiado tempo juntos,' dizias tu.
'Eu estava a sentir muita pressão por causa do curso', dizias tu.
Eu sei disso tudo, mas o que custava era ver que não querias estar comigo.
Eu só te tinha a ti e estava a tentar ser forte a imaginar o que seria de mim se desaparecesses. E quando me apercebi da minha insignificância, da lástima do que estava a ser a mendigar o teu amor vi que era tempo de deixar.
Prova-me que me amas. Mostra-me que me amas. Dá-me tudo de ti. As palavras já não me chegam. Quero alguma coisa verdadeira que consiga sentir e talvez me possa apoiar de novo a ti. Mas as coisas nunca voltarão a ser a mesma coisa pois não?
Eu, a rapariga inocente que corria para ti numa montanha com todo o esplendor do nosso amor e dizia-te para olhar para ali porque era tão bonito.
Estou a tentar um caminho sozinha em que não sigo a tua sombra de conforto, quero ser acompanhada da minha. Da minha própria sombra confiante, atrás de mim, em direção ao sol ou à tempestade, mas gostava de encontrar a força para seguir.
Friday, March 30, 2018
Thursday, March 15, 2018
Atmosfera
Ao longo de três meses mantive um diário escultórico com alguma disciplina, cresci muito dialogando com o material e comigo própria. Os dias que passam por mim e as emoções se anexam a mim não me largando, uma voz, um emaranhado que me prende os ombros. Por vezes é difícil respirar.
Larguei algumas coisas pelo caminho. A acumulação física fazia com que o tempo pesasse mais. Não como se nunca tivessem pesado. Mas a matéria pareceu colocar mais umas toneladas sobre o ar que me esmaga, culpando a minha fragilidade e esmagando a minha inocência e vontade de continuar sem olho para o tempo.
Este acumular não se desprende de mim, apenas da minha mente. Tenho medo de continuar e encher todo o meu espaço dele. Todas as relações serão assim. Preciso talvez de algum espaço com este projeto que se tornou uma tarefa que habita sempre como uma base inquieta. A inquietação por agora imobiliza. Seria um combustível bastante eficiente se tivesse o efeito contrário.
Penso que vou fechar.
Não gosto deste acumular físico, não gosto mais.
Talvez o que extraí foram demasiadas energias negativas, agora condensam-se ali, impiedosas.
Terei de ter alguma piedade de mim. Não sei se consigo olhar para as coisas que faço. Puxam-me com tanta intensidade que parecem que me destroem.
Tende piedade de mim.
Não quero âncoras. Quero partir.
Levem tudo.
Larguei algumas coisas pelo caminho. A acumulação física fazia com que o tempo pesasse mais. Não como se nunca tivessem pesado. Mas a matéria pareceu colocar mais umas toneladas sobre o ar que me esmaga, culpando a minha fragilidade e esmagando a minha inocência e vontade de continuar sem olho para o tempo.
Este acumular não se desprende de mim, apenas da minha mente. Tenho medo de continuar e encher todo o meu espaço dele. Todas as relações serão assim. Preciso talvez de algum espaço com este projeto que se tornou uma tarefa que habita sempre como uma base inquieta. A inquietação por agora imobiliza. Seria um combustível bastante eficiente se tivesse o efeito contrário.
Penso que vou fechar.
Não gosto deste acumular físico, não gosto mais.
Talvez o que extraí foram demasiadas energias negativas, agora condensam-se ali, impiedosas.
Terei de ter alguma piedade de mim. Não sei se consigo olhar para as coisas que faço. Puxam-me com tanta intensidade que parecem que me destroem.
Tende piedade de mim.
Não quero âncoras. Quero partir.
Levem tudo.
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