Não faz mal se nunca mais te vir. Se calhar não causará tanto sobressalto, e não irei sentir o quão insignificante me tornei para ti, mais uma pessoa no mar de multidão em Lisboa, até que partas desta cidade e nunca mais recordarás o meu nome.
Talvez de lembres se fores a algum sítio que te relembre algum chão que teremos pisado juntos ou algum sítio que eu falei alguma vez que gostava tanto de ir! Mas eu sei que pouco tempo depois nada disso vai surgir nos teus pensamentos, uma paisagem será apenas uma paisagem com as memórias de novos amigos e novos amores. Não vais pensar em tirar uma foto para me mostrares depois.
Não sei se alguma vez cheguei a ser o teu primeiro pensamento do dia e o último do dia, só para que saibas, os primeiros dias não contam. Eu não sei se ficaria feliz por ti se conhecesses outra pessoa e que te deixasse de doer. Eu não sei se ficaria tudo bem se nunca mais visse o teu nome aparecer em lado algum. Eu também não sei se ficaria feliz se voltássemos a ficar juntos.
Não sei se te irei chamar na multidão ou fingir que não reparei, fingirias que não me tinhas visto?
Detesto pensar que te fiquei indiferente que já há tanta distância, mas não sou eu que tenho de correr desta vez, pois não? Se correres, por favor vem rápido. Se não souberes como correr não sejas tão gentil comigo, eu tenho o coração fraco.
Eu sei que o tempo apaga tudo, e se não apaga, enterra. Está tudo a ser difícil demais e não consigo preencher o vazio da tua presença com nada. Porque é que eu tenho de te amar tanto?