Friday, December 27, 2013

Ao secar de luas e sóis

 Ah, joão, às vezes temos de engolir sapos e vomitar dragões!
Quantos anfíbios engolimos ao secar de luas e sóis.

Ingestão essa involuntária. Poderá causar desconforto pela mutação nervosa dentro do estômago. Claro, o bicho fica nervoso, não sabe onde está e por que céus está.

O indivíduo, merecedor, inocente ou não, saberá ou não.

Depois dos gritos/gemidos abafado pelos tubos quentes de carne. Depois dos trambolhões pelas paredes do estômago, o sapo recompõe-se e tenta perceber que Diabo dos Pântanos o pôs lá. Húmido, sim!, mas... quente... com cheiro peculiar.

E aguarda um momento até começar a protestar porque quer sair, não se sente seguro daquele sítio apagado, com luzes embaciadas da cor da carne. Bolhas incutidas nas paredes do estômago, acendendo, dilatando com as pulsações estranhas.

Um novo mundo... mundo. Mundo, mundo. Relance à direita, relance à esquerda, mundo, mundo, mundo...!

Depois sentem empatia, que seja do calor das paredes do estômago, olham para cima, sentem aquela inquietude do papo. Olham para baixo, vêm algas de dedos redondos. É por isto que estamos inquietos, o sapo é bastante sensível ao calor humano. Nós somos bastantes sensíveis à pele escorregadia aderente de sapo também.

Sapo sem desinfecção, é um bocado... Tendo em conta o seu ambiente pantanoso e os pântanos serem perigosos a nível de bactéria. O sapo pensará da mesma forma, COMO É QUE ESTA CRIATURA, criatura...

Eu não quero ficar aqui por muito mais tempo, os meus primos e irmãos vão ficar aflitos. Abre mais os olhos e fixa uma quarta parede, E OS MEUS FILHOS. Mas

o sapo tem a bocanha em sorriso, outros não. Recebe, recebe e nunca cede, outros não. O olhar diferente de sapo para sapo. Os que engoliram sapo são capazes de assimilar estes aspectos, aquele sorriso/riso parvo, desesperado, frustrado, forçado, apaziguador. Transparece no olhar, muitas cores. Mas outros não.

O sapo estica a pele do pescoço gordo... e vê o céu.

Senta-se.

Sonha.



Thursday, December 19, 2013

Se duas mãos nunca se separassem

Se duas mãos nunca se separassem, elas zangar-se-iam, não sentiriam o conforto do calor que passa de uma mão para a outra como um edredão suave de seda. Apenas sentiriam a humidade causado pelo suor e aquele sentimento viscoso. Não enquadrariam vales e luas, montanhas e riachos, ou apenas um simples sapo, rã, anfíbio esquisito.
Se eu não me separasse de ti, odiaria o teu calor, mas como há sempre Inverno, por vezes sinto que o calor é bem-vindo. O chocolate quente não aveludava a língua da mesma forma, nem sentiria um calor cor-de-laranja.
Bem sei que há estas coisas, e se as mãos não se separassem seria difícil dar aplausos, dar chapadas até. Claro que tudo se terá de separar, são parecidas, sim! sim... com certeza!... com certeza...mas precisam do seu espaço. Não as podemos deixar na mesma caixa e guardá-las num baú.


"Eu guardei as minhas mãos no baú" disse uma senhora ao telefone, está em linha na rádio lumiosa! Diga olá e cumprimente quem quer cumprimentar, quem mais ama! A apresentadora está animada. Mas isso é estranhíssimo, como é que faz as suas tarefas?

Não precisei mais de as fazer"afinal de contas" se não tiver mãos não preciso de fazer as contas, conto sempre pelos dedos, mas os meus dedos... já
Sim, senhora, todos temos momentos de fraqueza e...
Mas é por causa da fraqueza que as decidi guardar, assim não mais me queixo do incontrolado tremelique que abana tudo, a caneca, o tapete, até o gato. Guardei as mãos para não fazer mais mal a ninguém


Mas sabe, senhora, as mãos nem sempre são o mais fatal, sabe que uma coisa muito perigosa é a nossa boca, se os lábios nunca se separassem certamente não haveria tantos conflitos verbais, mas físicos haveriam de ter, porque encontramos em nós uma necessidade profunda de argumentar e ser paranóicos.
Do outro lado da linha, a velhinha que guardou as mãos já estava a produzir um som eléctrico.
AH! perdi outra senhora em linha.

Piiiiiii, piiiiiii, biiiii...

Sim, sim, sim. Estou? Está em linha na rádio lumiosa, posso saber o que é inseparável na sua vida, ou corpo?
Com. Efeito senhora. Budina... Disse num tom acastanhado e calmo.
E tenho o prazer de saber o seu nome?
O... meu nome? Ah,... o meu nome não é nada de especial, nada de especial. Não é tão especial como o seu, senhora Budina, sou apenas um português com mais de meio século de vida conhecido por zÉ, mas na verdade sou Miguel. Desde pequeno me confundiram com esse fulano, agora ficou, há coisas por mais que se insista não mudam.
Até os seus pais o tratam por zè?


Não, é zÉ.
Sim, zé.
Não, é zÉ.
Sim...
Sim... é porque as palavras são tantas, quando assim são ganham uma tal força que lavam a cabeça da pessoa. como se lavassem a terra de uma toca de lebres, sai a terra onde guardam as lembranças mais preciosas, e tudo!, o pelo branco, castanho, cenouras ou lá o que comem e...
Desta vez a linha quebrou-se do outro lado, e Budina foi buscar mais histórias e tentar que as suas mesmas histórias, palavras em demasia não assustem os ouvintes ou vice-versa.


Fotografia //  ilustração -- Caneta, canetas de feltro, chá margarida de neve de Kun Lun (昆仑雪菊)



昆仑雪菊, margarida de neve de Kun Lun usada para fazer infusões, e com ela fiz chá e fez-me manchas.

É uma espécie de margarida com alta tolerância ao frio e ao calor, a nevões e geadas, floresce nos sopés da cordilheira de Kun Lun a uma altitude de 3000 metros e superior, silenciosamente há mais de três milénios. A única flor que cresce naturalmente neve. Desenvolve-se num ambiente isento de poluição, a sua colheita é manual e não ultrapassa 5000 quilogramas. Beneficia a saúde a prevenir problemas cardiovasculares.

Fonte sobre a margarida: http://www.baike.com/wiki/昆仑雪菊