Se eu não me separasse de ti, odiaria o teu calor, mas como há sempre Inverno, por vezes sinto que o calor é bem-vindo. O chocolate quente não aveludava a língua da mesma forma, nem sentiria um calor cor-de-laranja.
Bem sei que há estas coisas, e se as mãos não se separassem seria difícil dar aplausos, dar chapadas até. Claro que tudo se terá de separar, são parecidas, sim! sim... com certeza!... com certeza...mas precisam do seu espaço. Não as podemos deixar na mesma caixa e guardá-las num baú.
Não precisei mais de as fazer"afinal de contas" se não tiver mãos não preciso de fazer as contas, conto sempre pelos dedos, mas os meus dedos... já
Sim, senhora, todos temos momentos de fraqueza e...
Mas é por causa da fraqueza que as decidi guardar, assim não mais me queixo do incontrolado tremelique que abana tudo, a caneca, o tapete, até o gato. Guardei as mãos para não fazer mais mal a ninguém
Do outro lado da linha, a velhinha que guardou as mãos já estava a produzir um som eléctrico.
AH! perdi outra senhora em linha.
Piiiiiii, piiiiiii, biiiii...
Sim, sim, sim. Estou? Está em linha na rádio lumiosa, posso saber o que é inseparável na sua vida, ou corpo?
Com. Efeito senhora. Budina... Disse num tom acastanhado e calmo.
E tenho o prazer de saber o seu nome?
O... meu nome? Ah,... o meu nome não é nada de especial, nada de especial. Não é tão especial como o seu, senhora Budina, sou apenas um português com mais de meio século de vida conhecido por zÉ, mas na verdade sou Miguel. Desde pequeno me confundiram com esse fulano, agora ficou, há coisas por mais que se insista não mudam.
Até os seus pais o tratam por zè?
Sim, zé.
Não, é zÉ.
Sim...
Sim... é porque as palavras são tantas, quando assim são ganham uma tal força que lavam a cabeça da pessoa. como se lavassem a terra de uma toca de lebres, sai a terra onde guardam as lembranças mais preciosas, e tudo!, o pelo branco, castanho, cenouras ou lá o que comem e...
Desta vez a linha quebrou-se do outro lado, e Budina foi buscar mais histórias e tentar que as suas mesmas histórias, palavras em demasia não assustem os ouvintes ou vice-versa.
Fotografia // ilustração -- Caneta, canetas de feltro, chá margarida de neve de Kun Lun (昆仑雪菊)
昆仑雪菊, margarida de neve de Kun Lun usada para fazer infusões, e com ela fiz chá e fez-me manchas.
É uma espécie de margarida com alta tolerância ao frio e ao calor, a nevões e geadas, floresce nos sopés da cordilheira de Kun Lun a uma altitude de 3000 metros e superior, silenciosamente há mais de três milénios. A única flor que cresce naturalmente neve. Desenvolve-se num ambiente isento de poluição, a sua colheita é manual e não ultrapassa 5000 quilogramas. Beneficia a saúde a prevenir problemas cardiovasculares.
Fonte sobre a margarida: http://www.baike.com/wiki/昆仑雪菊


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